7 de dez. de 2013

Teste: Chevrolet Onix LTZ automático - Vista de cima

Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias
Teste: Chevrolet Onix LTZ automático - Vista de cima
Chevrolet Onix LTZ automático adiciona conforto a conjunto bem acertado de best-seller da marca

por Igor Macário
Auto Press
A Chevrolet acertou em cheio com o Onix. O hatch substituiu o cansado Corsa e logo se tornou o campeão de vendas da marca no Brasil, com mais de 10 mil unidades emplacadas mensalmente. Como um carro de volume, ele precisa atender desde camadas mais “populares”, com motorização 1.0 e menos equipamentos, até uma faixa mais alta. Nesse extremo superior está a versão LTZ com câmbio automático, topo de linha, recheada de itens de conveniência. Oferecido desde julho desse ano, o câmbio automático acrescenta R$ 3 mil à conta do LTZ, que chega aos R$ 47.890 e representa 10% dos Onix comercializados – expressivas mil unidades da variante mais luxuosa do compacto. Ele é um dos poucos do segmento a trazer uma transmissão automática convencional, com conversor de torque, em vez de uma caixa automatizada – mais barata e presente em modelos como Volkswagen Gol e Fiat Palio.
 
O câmbio de seis marchas é o mesmo utilizado em Cobalt, Spin, Prisma, Sonic e até no médio Cruze. Para o Onix, a caixa é exclusivamente acoplada ao motor 1.4 litro de 98/106 cv e 12,9/13,9 kgfm de torque, com gasolina e etanol – casamento repetido no sedã Prisma. O conjunto leva o modelo de zero a 100 km/h em 13,4 segundos e à máxima de 171 km/h.

 
Por fora, apenas um pequeno emblema na tampa traseira identifica um Onix com câmbio automático. De resto, tudo igual. Está lá a grade frontal dividida horizontalmente, os faróis com um pequeno traço azul e as proporções corretas. A plataforma é a GSV – global small vehicles ou global para veículos pequenos –, compartilhada com quase toda a linha de compactos da Chevrolet vendidos no Brasil, com exceção de Celta e Agile, mais antigos. Já o interior traz itens importantes como ar-condicionado, direção hidráulica, vidros, travas e retrovisores elétricos e o sistema MyLink. Menina dos olhos da Chevrolet, a central multimídia já está presente em quase todos os carros da linha. Ela é controlada por uma tela sensível ao toque de sete polegadas no centro do painel, reúne informações do som e espelha aplicativos instalados no smartphone – como o GPS.
 
Mesmo não sendo propriamente barato, o Onix LTZ apresenta um conjunto interessante e completo para os padrões do segmento. Por R$ 47.890, a versão automática adiciona conforto e praticidade ao modelo da Chevrolet. Ele é mais em conta que concorrentes diretos, como Volkswagen Gol e Fiat Palio – ambos com transmissões automatizadas mais simples e nível de equipamentos equivalente. Ainda assim, o Onix “top” é uma arma importante no jogo da marca da gravata, que tem mantido o segundo lugar no mercado, atrás apenas da Fiat.

 
Ponto a ponto
 
Desempenho – Os 106 cv e 13,9 kgfm de torque do 1.4 litro que equipa o Onix conseguem empurrar o hatch com competência. Mas em certos momentos a baixa litragem do motor fica em evidência, como em acelerações retomadas – embora o câmbio automático de seis marchas até se vire bem ao responder às solicitações do acelerador. A transmissão trabalha com suavidade nas trocas e tem relações bem escalonadas. Nota 7.
 
Estabilidade – O Onix é plantado no chão, com reações neutras e previsíveis. O comportamento é adequado à proposta e a boa aderência se mantém em curvas de alta ou de baixa velocidade. A direção é bem direta, mas a suspensão macia desestimula um uso mais extremo. Nota 7.
 
Interatividade – A maior vedete do Onix é o sistema multimídia MyLink, que é simples de usar e tem comandos autoexplicativos. Já a ergonomia peca na localização dos botões dos vidros, muito recuados, e do puxador das portas, baixo demais. A posição de dirigir é facilmente encontrada e a visibilidade é boa para todos os lados. Nota 8.
 
Consumo – O InMetro não testou nenhuma unidade do Chevrolet Onix 1.4 automático. No entanto, o computador de bordo da unidade avaliada acusou 8,2 km/l de gasolina em circuito urbano. Nota 6.
 
Conforto – Mesmo sendo um compacto, o modelo tem bom espaço interno e acolhe bem quatro ocupantes – um quinto até é admitido, mas já causa algum aperto no banco traseiro. O isolamento acústico é eficiente até a casa dos 110 km/h e no trânsito urbano o habitáculo é silencioso. Além disso, a suspensão amortece bem as irregularidades do asfalto e livra os ocupantes de eventuais solavancos. Nota 8.

 
Tecnologia – O Onix é um carro recente. A plataforma GSV – compartilhada com Cobalt, Spin, Prisma e Sonic – é moderna e prioriza o espaço interno. Além disso, o carro popularizou o sistema multimídia MyLink, que é simples mas funcional. A transmissão também é moderna, com seis marchas. No entanto, os propulsores são antigos, ainda que bastante revisados. Nota 7.

Habitabilidade – O interior do hatch é bem pensado e tem vários nichos para acesso rápido. A entrada no interior é facilitada pela abertura ampla das quatro portas. O bom espaço da plataforma, no entanto, foi dedicado ao habitáculo – para bagagens há 280 litros, padrão no segmento. Mas este volume pode ser expandido com o rebatimento do banco traseiro. Nota 8.
 
Acabamento – A cabine é bem finalizada, com materiais justos e qualidade nas montagens. Não há rebarbas aparentes e os encaixes passam impressão de solidez. O tecido dos bancos é agradável e a cor escura de painel e revestimentos dá um tom acolhedor. O plástico rígido ainda é usado em abundância, mas não destoa da proposta, nem causa estranheza ao toque. Nota 7.
 
Design – O visual do Onix é interessante. O modelo tem proporções bem definidas e não causa estranhamento sob nenhum ângulo. No entanto, carece de personalidade. Os traços são comportados, com uma linha de cintura alta e uma traseira pouco original. A frente tem a já difundida grade separada em duas partes da Chevrolet, enquanto os faróis ostentam um pequeno friso azul junto ao grupo ótico. Nota 7.

Custo/benefício – Os R$ 47.890 pedidos pelo modelo parecem um tanto elevados para um compacto urbano com motor 1.4, ainda que ele seja um dos poucos a trazer uma transmissão automática convencional, em vez de uma caixa automatizada. Além disso, as transmissões automáticas de Hyundai HB20, Citroën C3 e Peugeot 208 têm apenas quatro marchas. Mesmo assim, ele ainda é razoavelmente mais em conta que concorrentes diretos. Um Volkswagen Gol Highline I-Motion em equivalência de equipamentos chega a salgados R$ 49.820, enquanto um Fiat Palio Essence 1.6 16V Dualogic, também automatizado, sai por mais razoáveis R$ 44.817. Nas versões automáticas, o HB20 custa R$ 47.595, o C3 sai a R$ 53.490,00 e o 208 a R$ 54.990. Nota 7.
 
Total – O Chevrolet Onix LTZ automático somou 70 pontos em 100 possíveis.

 
Impressões ao dirigir
 
Justa medida
 
O interior do Onix é agradável, com uma cabine bem acabada e arejada. O espaço interno é aproveitado de forma inteligente e o revestimento não tem rebarbas ou materiais de má aparência. E melhora com a familiaridade que vem com o uso diário – no que a transmissão automática de seis marchas só contribui. O câmbio é moderno e trabalha bem com o 1.4 litro para melhor aproveitar a força, que não tem sobras. O funcionamento da transmissão é bastante suave, sem trancos, e compõe bem com as reações serenas do motor. 
 
Os 106 cv do propulsor são suficientes para mover o Onix com dignidade, ainda que ele não seja um exemplo de esperteza. O torque máximo, de 13,9 kgfm, só aparece a altas 4.800 rotações e, ainda que seja bem distribuído, força o sistema a “esticar” demais as primeiras marchas para embalar o hatch. No entanto, em trânsito mais travado de um centro urbano, o modelo acompanha bem o tráfego e o câmbio automático faz toda a diferença ao facilitar muito a condução. Há a opção por trocas manuais – através de um pouco cômodo botão na alavanca –, que elimina uma certa indecisão da caixa, particularmente em retomadas a velocidades mais altas. 
 
O interior é funcional e ganha em modernidade com o MyLink. A tela sensível ao toque de sete polegadas no centro do painel é vistosa e bem simples de usar. Apenas os comandos de volume – em teclas no console ou diretamente na tela – são pouco práticas. No volante, curiosamente, há apenas comando para o controlador de velocidade de cruzeiro. O isolamento acústico é bom e o Onix passa agradável sensação de robustez ao enfrentar com desenvoltura pisos ruins e asfaltos esburacados. 
 


Ficha técnica
 
Chevrolet Onix LTZ 1.4 automático
 
Motor: A gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.389 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Potência máxima: 106 e 98 cv a 6 mil rpm com etanol e gasolina.
Torque máximo: 13,9 e 12,9 kgfm a 4.800 rpm com etanol e gasolina.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 13,4 segundos.
Velocidade máxima: 171 km/h.
Diâmetro e curso: 77,6 mm X 73,4 mm. Taxa de compressão: 12,4:1.
Pneus: 185/65 R15.
Peso: 1.067 kg.
Transmissão: Câmbio automático com seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira. Não oferece controle de tração.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais com carga lateral, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente com eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores telescópicos hidráulicos.
Freios: Discos na frente e tambor atrás. ABS de série.
Carroceria: Hatch em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 3,93 metros de comprimento, 1,70 m de largura, 1,48 m de altura e 2,52 m de distância entre-eixos. Oferece airbag duplo de série. 
Capacidade do porta-malas: 280 litros.
Tanque de combustível: 54 litros.
Produção: Gravataí, Rio Grande do Sul.
Itens de série: Airbags frontais, freios ABS, banco do motorista com ajuste de altura, direção hidráulica, chave canivete, direção com ajuste de altura, vidros, travas e retrovisores elétricos, alarme, protetor de cárter, faróis com máscara negra, lanternas escurecidas, rodas de liga leve em 15 polegadas, ar-condicionado, faróis de neblina, MyLink, controlador de velocidade de cruzeiro e computador de bordo. 
Preço: R$ 47.890.
 



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