9 de mar. de 2012

Passat TS: o esportivo divisor de águas da Volkswagen Por Renato Bellote



Durante a década de 60 e boa parte da de 70 era bem curioso observar os folhetos de propaganda da Volkswagen. O material mostrava os concorrentes sofrendo com o calor na subida de serra, bem como enfrentando adversidades com mangueiras e radiadores. Isso porque a marca só vendia os modelos equipados com o clássico motor boxer refrigerado a ar. As provocações à concorrência eram explícitas e as vantagens do propulsor elevadas às alturas. Mas tudo iria mudar em meados dos anos 70 com a chegada do Passat.

O estilo alemão e o desenho bem feito de Giorgietto Giugiaro deram origem a um belo produto para o mercado. Porém, o departamento de marketing perdeu o sono tendo que, de certo modo, desmentir tudo que havia sido dito sobre motores refrigerados a água sob pena de um fiasco nas vendas.

Felizmente a coisa deu certo. Bastou deixar alguns exemplares circularem com a imprensa para despertar a atenção do público. Os jornalistas, por sua vez, puderam experimentar algo bem diferente, com motor dianteiro, concepção moderna e desempenho extraordinário.
Em 1976 a versão TS chegou às lojas com carburação dupla, pneus mais largos e aspecto agressivo. As faixas, inicialmente colocadas na coluna traseira, percorriam uma parte da carroceria identificando a versão nervosa. Além disso, os quatro faróis na dianteira serviam para intimidar os concorrentes que iam à frente.
O exemplar da matéria é de 1978. O diferencial está nas faixas, recolocadas na parte de baixo da carroceria, que trazem o logotipo mágico em destaque. As rodas de 13 polegadas eram calçadas com pneus mais largos e muita gente hoje em dia troca o jogo original pelas rodas de 14 polegadas da Variant II, que têm o mesmo desenho.
Do lado de dentro, mais coisas interessantes. O clássico volante de três raios é uma delas. O conta-giros se destaca no centro do painel, enquanto o console na parte de baixo traz um relógio, manômetro do óleo e voltímetro (na década de 80 o manômetro seria substituído por um vacuômetro). Quais “esportivos” nacionais do mercado atual trazem esse tipo de coisa?
Ao girar a chave o motor MD, de quatro cilindros, ronca alto. Isso porque a preparação incluía carburador de corpo duplo e escapamento de maior diâmetro (menos restrições, segundo linguagem da época). Desse modo ele entrega 80 cv (96 cv SAE ou brutos, no teste de 1978) e desperta nostalgia
Dirigir a máquina foi outra experiência interessante. Havia andado em alguns deles quando criança e a visão dos manômetros me inspirava a várias brincadeiras em meu painel imaginário (o volante, porém, era de plástico). A posição de dirigir, contrariando o que já li em algumas matérias, é muito boa e permite ótima visibilidade.
O TS (Touring Sport) tem fôlego nas acelerações e não tem medo de curvas. Aliás, essa era sua vantagem em relação aos grandalhões com motor de seis cilindros e V8. Testes realizados no período indicam 0 a 100 km/h na casa dos 13 segundos e velocidade máxima de 160 km/h. O clássico pertence ao administrador Márcio Valente, que desmontou e remontou a máquina peça por peça durante a restauração com paciência e paixão. Mas valeu a pena, já que o veterano Volkswagen não só provou a eficiência do motor “à água” mas também deixou seu legado como marco inaugural dos esportivos de verdade da Volkswagen.
Fonte:jalopnik
 Disponível no(a):http://www.jalopnik.com.br
 Comente está postagem.

Nenhum comentário: