25 de nov. de 2011

A Latin NCAP e os carros nacionais

Foto: Divulgação
A Latin NCAP e os carros nacionais
Segunda bateria de testes com modelos vendidos na América Latina revela segurança precária e preocupa analistas
por Igor Macário Costa

A Latin NCAP, entidade internacional destinada a avaliar a segurança dos carros vendidos na América Latina, nos moldes da europeia Euro NCAP, divulgou os resultados dos testes realizados nos mais recentes lançamentos no mercado brasileiro. O resultado, como muitos infelizmente previam, não foi dos melhores, e apenas projetos mais sofisticados, de carros mais caros, conseguiram notas razoáveis. Os testes são realizados nos laboratórios da ADAC, a agência de segurança no trânsito da Alemanha, onde são feitos também os testes da Euro NCAP.
A surpresa negativa foi o Nissan March, aclamado como o primeiro popular mundial japonês e a ser vendido no Brasil. Enquanto no velho continente o carrinho conseguiu quatro estrelas em testes que envolveram colisões frontais e laterais, o modelo vendido aqui foi claramente pior, com apenas duas estrelas para proteção a adultos, ainda que conte com airbags frontais de série em todas as versões. Ao ver os vídeos dos testes, é clara a diferença no comportamento entre o carro vendido aqui - vindo do México - e o europeu, fabricado lá. Enquanto o mexicano sofre grande deformação, inclusive com deslocamento do painel em direção aos ocupantes, o europeu mantém uma integridade visivelmente maior, o que obviamente já levantou suspeitas sobre a qualidade dos materiais empregados no March latino.

Entretanto, os piores resultados ficaram com os nacionais Chevrolet Classic e Celta, Fiat Uno e Ford Ka, da bateria que ainda envolveu o Nissan Tiida, Ford Focus e Chevrolet Cruze. A linha mais simples da GM, que não oferece mais airbags sequer como opcional, ganhou apenas uma estrela para proteção dos ocupantes dianteiros, o que evidencia o atraso tecnológico e a até então aparente despreocupação das fabricantes com a real segurança dos ocupantes de seus carros mais baratos, ao menos com relação ao padrão europeu.

O caminho para a melhoria da segurança dos carros europeus foi através do endurecimento das regras de segurança, que os automóveis novos só conseguem cumprir se estiverem equipados com equipamentos como airbags frontais, laterais e de cortina - quase padrão na Europa -, freios ABS e controle de estabilidade - a nova geração do Fiat Panda perdeu o ESP de série e também uma estrela na classificação, ficando com quatro. Por aqui, os fabricantes alegam que cada veículo ficaria com um custo muito elevado caso todos esses equipamentos fossem adicionados, e aliado a modelos antigos que ainda rodam por aqui, sequer capazes de serem tão seguros, formam um panorama pouco favorável.

O Ford Ka, que manteve a plataforma do modelo original, conseguiu também somente uma estrela no crash test frontal, ainda que as crianças sejam as mais protegidas, com três estrelas para proteção infantil - que aponta a segurança de crianças montadas em cadeirinhas infantis no banco traseiro. O modelo apresentou resultados semelhantes - piores somente pela ausência dos airbags - aos do Ka original de 14 anos atrás, mas ainda muito aquém dos projetos mais modernos que já rodam na Europa.

Cruze, Tiida e Focus obtiveram resultados satisfatórios e semelhantes aos testes realizados na Europa - quatro estrelas cada -, com a nota menor, uma estrela a menos, saindo apenas para o Tiida equipado com airbag apenas para o motorista, configuração que não existirá na linha 2012 vendida aqui no Brasil.

A própria Latin NCAP classifica como precária a segurança dos carros vendidos aqui, não só pela falta de equipamentos mas pela estrutura claramente mais fraca, apontado como um dos maiores problemas dos carros vendidos por aqui. A entidade ainda ressalta que embora Argentina e Brasil tenham aprovado leis que obriguem a instalação de airbags frontais em todos os carros novos a partir de 2014, a força foi pelo meio de decreto, e não pelo endurecimento das regras de segurança, o que acaba por não incluir reforços estruturais necessários. Os modelos são submetidos a colisões frontais a 64 km/h contra uma barreira deformável, simulando outro automóvel. Dentro, os famosos dummies, repletos de sensores que calculam a força dos impactos sofridos pelos ocupantes.

Fonte: motordream
Disponível no(a):http://motordream.uol.com.br

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