3 de dez. de 2013

AMISTOSO COM CHARME DE SENNA

Comparamos com exclusividade a evolução tecnológica alcançada pela Audi nos 20 anos que separam a RS6 da S4 Avant de Ayrton Senna



Audi RS6 e S4 Avant de Ayrton Senna (Foto: Fabio Aro)
Certos carros merecem ser respeitados pela importância conquistada ao longo do tempo. Mas no caso deste Audi S4 Avant 1993 prateado, a admiração vai muito além do pacote tecnológico avançado para a sua época, que o torna um modelo com recursos atrativos até nos dias atuais.

Este exemplar foi o primeiro Audi trazido ao Brasil por importação oficial e, aos 20 anos, pode ser considerado o "tio" da nova geração da perua RS6 Avant, esta belezura imponente e de cor vermelha que acaba de chegar às lojas do país por R$ 556 mil.

Mas não é só isso que faz desse S4 Avant um carro especial, tampouco o fato de ter rodado somente 4.778 quilômetros em duas décadas. Quer uma dica? Dê uma espiada nas letras das placas. BSS, abreviação para Beco Senna Silva. Há respostas no número também: 88, de 1988, ano do primeiro título de Ayrton Senna na Fórmula 1 — para quem não sabe, Beco era seu apelido.
Audi S4 Avant de Ayrton Senna (Foto: Fabio Aro)
Depois disso não é preciso dizer mais nada. A não ser que tivemos a honra de dirigir o S4 Avant do tricampeão no Kartódromo Granja Viana, em Cotia (SP). E para aumentar a emoção, promovemos um comparativo amistoso entre o clássico alemão e a nova perua RS6 Avant, com a meta de destacar a evolução tecnológica dos Audi no intervalo de 20 anos.
Novidade a parte, o RS6 foi menosprezado no primeiro momento em que tivemos os dois modelos lado a lado na pista. Afinal, estávamos ali com um dos carros de Senna e com o cenário ideal para quem é fã do ex-piloto: asfalto molhado e céu carregado ameaçando chuva a qualquer momento.
Chave no contato, banco de couro (com regulagens elétricas e sistema de aquecimento) ajustado na posição ideal, motor acionado! Uma leve pisada no pedal do acelerador é o suficiente para o ronco do propulsor 4.2 V8, aspirado e com injeção direta de gasolina invadir a cabine e arrepiar o motorista.
Audi RS6 e S4 Avant de Ayrton Senna (Foto: Fabio Aro)
E como acelera essa perua! Seus 280 cv são bem gerenciados pelo câmbio manual de seis marchas, de engates curtos e precisos. A embreagem levemente pesada confirma a pegada esportiva da perua, que impressiona também com a alta dose de torque. São 40,8 kgmf na faixa das 4 mil rpm. Para se ter uma ideia de como esse número é significativo, o 4.2 V8 de 450 cv que equipa a terceira geração do RS4 Avant desenvolve 43,8 kgmf.
Audi RS6 e S4 Avant de Ayrton Senna (Foto: Fabio Aro)
Todo esse poderio, aliado ao fato de o Audi ter pertencido a Senna, garantiu muito frio na barriga. Já pensou se escapamos da pista com essa máquina? Ayrton certamente não iria curtir... Por sorte, já em 1993 o S4 Avant surpreendia com os seus recursos de segurança. Além de air bag e freios ABS, o Audi oferecia tração integral.
Quando guiava a perua, Senna provavelmente apertava o botão de bloqueio do diferencial traseiro, no console central, para tornar a condução mais interessante. Eu, porém, optei por não abusar muito dos limites do veículo alemão. Mesmo assim, foi possível ter ótimas impressões da perua S4. Ágil, veloz, estável, espaçosa e confortável foram adjetivos rapidamente evidenciados. "Tudo isso combinado com esportividade atraíram o Ayrton. Ele também gostava de carregar aeromodelos em viagens nos fins de semana e esse modelo permitia isso", afirma o empresário e irmão do tricampeão, Leonardo Senna, responsável por preservar o Audi e o "louco" por nos emprestar a raridade.
Audi S4 Avant de Ayrton Senna (Foto: Fabio Aro)
20 anos depois...
Pausa no saudosismo, era hora de acelerar a nova RS6 Avant e constatar as evoluções obtidas em duas décadas. E foram enormes! Uma simples demonstração está no total de unidades eletrônicas de comando embarcadas. "Enquanto a S4 Avant dispõe de cinco (motor, ar-condicionado, freios ABS, painel e travamento das portas), a RS6 conta com 42, entre as quais controle de estabilidade, câmeras de monitoramento do limitador adaptativo de velocidade, etc.", destaca o consultor técnico da Audi, Lothar Werninghaus.
Em termos visuais nem é preciso dizer muita coisa, né? A perua com faróis de LEDs tem linhas agressivas e intimidadoras que inspiram velocidade. Na cabine, o apelo esportivo é reforçado pelos bancos dianteiros tipo concha, os muitos detalhes de fibra de carbono (o painel do S4 Avant do Senna também traz alguns) e de alumínio fosco, além do volante de base reta.
Logo ao dar a partida, por meio de um botão no console, o motorista esquece fácil do berro abafado do estiloso Audi S4. Tudo por causa dos estouros emitidos pelas saídas do escapamento, como se a perua estivesse dando um simples aperitivo do potencial de seu conjunto mecânico.
Audi RS6 Avant (Foto: Fabio Aro)
Vinte anos depois do S4 Avant, a fabricante alemã preparou um propulsor 4.0 V8 biturbo de 560 cv (o dobro da potência do carro de Senna) e assombrosos 71,4 kgmf. É tanto torque que a Audi teve de trocar a caixa automatizada de dupla embreagem e sete marchas S Tronic por uma automática de oito velocidades, que efetua trocas suaves e rápidas.
No modo esportivo, o ronco do motor do RS6 fica mais grave e as mudanças de marcha são mais ríspidas, com direito a um barulho de arrepiar os fãs de velocidade. Para intensificar a adrenalina, há aletas atrás do volante para trocas sequenciais.
Audi RS6 Avant (Foto: Fabio Aro)
Se a reta do Kartódromo Granja Viana já demonstrou ser pequena para o S4 Avant, imagine então para a perua RS6. Não foi possível chegar nem perto dos 305 km/h de velocidade máxima anunciados pela fabricante, mas os 130 km/h alcançados em um trecho de 400 metros e com pista molhada demonstraram ser animadores.
A desenvoltura do Audi em curvas também espanta, graças ao ótimo acerto das suspensões independentes com preparação esportiva e ao equilíbrio da carroceria, que mal balança independente da velocidade.
De forma resumida, pode-se dizer que tanto no S4 quanto no RS6 o motorista não se sente a bordo de uma perua, de tão eficientes e prazerosas de guiar que são. E chega a assustar o salto tecnológico alcançado em 20 anos. Lá de cima, Senna com certeza não se incomodou de nos ver acelerando seu antigo Audi. O tricampeão só deve ter ficado triste por não ter tido a chance de experimentar a evolução. Se estivesse vivo, alguém duvida que ao menos uma das 20 unidades trazidas ao Brasil seria dele?
Agradecimentos: Kartódromo Granja Viana e Sid Special Paint
Audi RS6 e S4 Avant de Ayrton Senna (Foto: Fabio Aro)
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