20 de set. de 2013

Teste: Chevrolet Prisma 1.4 LTZ automático – Marcha do progresso

 Fotos: Pedro Paulo Figueiredo/Carta Z Notícias
Teste: Chevrolet Prisma 1.4 LTZ automático – Marcha do progresso
Com transmissão automática de seis velocidades, Chevrolet Prisma LTZ ganha competitividade


Por décadas, o consumidor brasileiro manteve um certo distanciamento dos câmbios automáticos. Pagava-se caro para contar com o equipamento, tido como artigo de luxo num passado ainda recente. No entanto, o trânsito cada vez pior das grandes cidades fez a transmissão automática ganhar relevância como um importante item de conforto.
De olho na demanda, diversas marcas começaram a popularizar a oferta. Hoje são raros os modelos que disponibilizam apenas câmbio mecânico. O Prisma era um deles. Porém, para a linha 2014, a Chevrolet introduziu um câmbio automático de seis velocidades no sedã compacto e melhorou o recheio da configuração topo do modelo, a 1.4 LTZ. Desse modo, aumentou a competitividade do Prisma diante das versões “top” dos rivais.

A proposta da marca é oferecer transmissão automática pelo preço de uma automatizada. O equipamento adiciona R$ 3 mil à configuração LTZ e eleva o preço do Prisma a R$ 49.990. Praticamente a mesma diferença cobrada pelas versões sem pedal de embreagem dos concorrentes Volkswagen Voyage, Fiat Grand Siena e Hyundai HB20S – R$ 2.730, R$ 2.020 e R$ 3.200, respectivamente. No entanto, os dois primeiros são automatizados – ou seja, câmbios mecânicos com mudanças robotizadas – e o da marca coreana, que também é automático de fato, com conversor de torque, é uma caixa antiga de quatro marchas. Mais moderna, a transmissão da Chevrolet é uma evolução da oferecida nas linhas de Cruze, Cobalt e Spin. Está disponível também na versão intermediária 1.4 LT do sedã e ainda no hatch Onix.




A nova transmissão explora bem o motor. O 1.4 usado é o Família I com alterações em peças como pistões e bobinas que reduziram o atrito e deixaram o propulsor mais leve. A unidade de força tem basicamente os mesmos números de desempenho da versão acoplada ao câmbio manual – a mínima diferença está na aceleração de zero a 100 km/h, cumprida em 10,1 segundos pelo Prisma automático – tempo 0,6 segundo mais rápido que o da versão manual. Gera 98 cv de potência com gasolina e 106 cv com etanol. O torque é de 12,9 e 13,9 kgfm, respectivamente, a 4.800 rpm.

Além do conforto proporcionado pela nova transmissão, outro fator que embala as vendas do Prisma é o design. O porte robusto combinado ao perfil com o para-brisas bem inclinado e o porta-malas curto cria um aspecto esportivo. A frente, derivada do hatch Onix, traz a atual identidade visual da Chevrolet com a grade bipartida e os faróis avantajados. Os vincos do capô sugerem agressividade.



A lista de equipamentos do Prisma LTZ traz itens como airbag duplo, ar-condicionado, trio elétrico, ABS e direção hidráulica, além de computador de bordo, rodas de liga leve de 15 polegadas e faróis de neblina. Além, é claro, do já conhecido sistema de entretenimento MyLink, que continua a ser um dos principais argumentos de vendas da linha compacta da Chevrolet.

Ponto a ponto

Desempenho – O motor 1.4 não faz muito esforço para puxar os 1.079 kg do Prisma LTZ automático. Não dá para dizer que sobra vigor, mas o sedã acelera com disposição. A transmissão automática de seis velocidades desenvolve um trabalho competente junto ao propulsor. Nas retomadas acima dos 80 km/h, a redução de marcha poderia ser mais ágil. Nota 8.
 
Estabilidade – O Prisma chama a atenção pelo equilíbrio. Quase não se sente a carroceria rolar e, nas curvas, predomina a sensação de controle sobre o carro. Isso se repete tanto numa tocada mais pacata, na cidade, quanto em velocidades mais elevadas. Nota 8.
 
Interatividade – O MyLink é uma das principais atrações do Prisma LTZ. O sistema controla diversas funções de entretenimento, como rádio com funções CD/MP3/USB/Bluetooth/iPod, além de funcionar como uma extensão de alguns aplicativos para smartphones. Não é necessário muito estudo para aprender a operar o equipamento. A visibilidade do Prisma é boa à frente e razoável para a traseira, devido à inclinação do teto em direção ao terceiro volume. Todos os comandos mais importantes do carro estão bem posicionados e o uso é intuitivo. A leitura do painel de instrumentos é bastante clara. Nota 8.
 
Consumo – A Chevrolet não cedeu nenhuma unidade do Prisma automático para o InMetro fazer medições. Abastecido com gasolina, o computador de bordo do sedã registrou uma média de 9,1 km/l em trajeto misto. Nota 7.
 
Conforto – O sedã oferece espaço interno coerente com o que se espera do segmento de compactos. Há espaço de sobra para as pernas, os ombros e cabeças dos ocupantes dos bancos da frente. A densidade dos estofados também agrada, assim como o trabalho feito pela suspensão. O conjunto absorve bem os desníveis do solo. O isolamento acústico é eficiente e pouco se ouve do motor e do ambiente externo. Nota 7.


 
Tecnologia – O motor do Prisma não é novo. Trata-se de uma atualização do Família I, propulsor introduzido no Brasil sob o capô do Corsa, em 1994. Em compensação, o carro é construído sobre uma plataforma nova – a GSV, sigla em inglês para veículos compactos globais. A transmissão também tem concepção recente, assim como o conjunto suspensivo. Para completar, a versão LTZ do sedã oferece boa lista de equipamentos de série, com itens como trio elétrico, sensor de estacionamento traseiro e o sistema MyLink. Nota 8.
 
Habitabilidade – O ângulo de abertura das portas facilita bastante a entrada no carro, tanto na frente, quanto atrás. Há espaços para guardar todo tipo de objeto, desde os de acesso mais imediato, como carteira, telefone e trocados para pagamento de pedágios, por exemplo, até copos e garrafas. Nota 7
 
Acabamento – Não há requinte dentro do Prisma, embora o acabamento seja bem feito. Quase tudo é corretamente arrematado. Uma rara exceção são as alças das portas, que apresentam algumas rebarbas. Mas, na média, o resultado é correto. Nota 7.
 
Design – As linhas do Prisma estão entre as menos conservadoras do segmento. A linha do teto cai em direção a traseira de modo que cria um perfil muito mais próximo de um cupê do que de um sedã. O terceiro volume é bastante discreto. A identidade visual da Chevrolet se faz presente na parte frontal, com a grade dividida horizontalmente e os faróis anabolizados. Mas as linhas estão mais proporcionais que as dos outros lançamentos mais recentes da fabricante. Nota 8.
 
Custo/benefício – O Prisma não é dos sedãs mais baratos. E na versão topo, isso se evidencia ainda mais. Os R$ 49.990 pedidos pelo 1.4 LTZ automático colocam o sedã da Chevrolet entre os mais caros do segmento. Perde apenas para o Hyundai HB20S, que custa R$ 52.795 com motor 1.6 e oferece uma ultrapassada transmissão automática de quatro marchas. A lista traz ainda o Fiat Grand Siena com o automatizado Dualogic por R$ 44.080 – quase R$ 6 mil mais barato – e o Volkswagen Voyage I-motion, também automatizado, que custa R$ 48.920. Porém, nos dois modelos, as listas de equipamentos das versões de topo são bem mais limitadas que a do Prisma, fato que joga a favor do sedã da Chevrolet. Nota 7.
 
Total – O Chevrolet Prisma 1.4 LTZ automático somou 75 pontos em 100 possíveis.

 
Impressões ao dirigir
Dupla dinâmica

O Prisma é um carro muito bem resolvido. Tem design inspirado, que impossibilita qualquer relação com a geração anterior. E, para completar, o interior também agrada. A lista de equipamentos também é convincente – principalmente pelo sistema MyLink, que deixa a vida dentro do carro bastante divertida. No entanto, faltava a opção de câmbio automático. E, quando a Chevrolet decidiu introduzir a caixa de seis velocidades, criou um conjunto realmente interessante.

O trabalho realizado pela dupla motor/transmissão agrada desde as primeiras marchas. O conjunto parece funcionar em melhor sintonia que na Spin, por exemplo, apesar da maior capacidade do motor da minivan. As marchas avançam conforme o esperado. Um pouco mais de suavidade nas trocas, porém, cairia bem. Dá para sentir alguns trancos, mas nada que chegue a incomodar ou atrapalhar o conforto.


Dentro do Prisma, aliás, o ambiente é agradável. Os bancos recebem bem os ocupantes da frente e oferecem apoios laterais que ajudam a segurar o corpo nas curvas. Algo que também chama a atenção positivamente no sedã é o isolamento acústico, mesmo quando o motor opera numa faixa mais elevada de rotações. Não sobra ruído na cabine para atrapalhar uma conversa em tom normal ou os acordes de guitarra reproduzidos com clareza e em boa potência pelo sistema de entretenimento MyLink.
 
Outra virtude do Prisma é a estabilidade. O sedã atravessa trechos sinuosos sem perder o equilíbrio. Quando enfrenta situações cotidianas, ruas de pavimentação ruim ou no trânsito intenso, além de segurar bem o carro, a suspensão mostra bom ajuste também em relação ao conforto. E no anda e para das grandes metrópoles, a transmissão automática se revela uma grande aliada do conforto. Principalmente para a perna esquerda do motorista.

 
Ficha técnica
Chevrolet Prisma 1.4 LTZ automático
Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.389 cm³, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro e comando simples no cabeçote. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Potência máxima: 106 e 98 cv a 6 mil rpm com etanol e gasolina.
Torque máximo: 13,9 e 12,9 kgfm a 4.800 rpm com etanol e gasolina.
Aceleração de 0 a 100 km/h: 10,1 e 10,5 segundos com etanol e gasolina.
Velocidade máxima: 180 km/h.
Diâmetro e curso: 77,6 mm X 73,4 mm. Taxa de compressão: 12,4:1.
Pneus: 185/65 R15.
Peso: 1.079 kg.
Transmissão: Câmbio automático com seis marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson, com molas helicoidais com carga lateral, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora. Traseira semi-independente com eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores telescópicos hidráulicos.
Freios: Discos na frente e tambor atrás. ABS de série.
Carroceria: Sedã em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,28 metros de comprimento, 1,71 m de largura, 1,49 m de altura e 2,53 m de distância entre-eixos. Oferece airbag duplo de série.
Capacidade do porta-malas: 280 litros.
Tanque de combustível: 54 litros.
Produção: Gravataí, Rio Grande do Sul.
Itens de série: Airbags frontais, freios ABS, banco do motorista com ajuste de altura, direção hidráulica, chave canivete, direção com ajuste de altura, travas e vidros elétricos, alarme, protetor de cárter, faróis com máscara negra, lanternas escurecidas, rodas de liga leve em 15 polegadas, ar-condicionado, faróis de neblina, MyLink, vidros traseiros e espelhos elétricos e computador de bordo. 
Preço: R$ 49.990.



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