25 de nov. de 2011

Lenha para queimar por Rafael Lopes

Rubens Barrichello na entrevista coletiva desta quinta-feira
Mais uma semana de GP do Brasil pautada por muita correria, apesar de o campeonato já estar decidido em favor de Sebastian Vettel, mais jovem bicampeão da história da Fórmula 1. Até por isso optei por ficar marcando em cima o principal personagem da corrida deste ano em Interlagos:
Rubens Barrichello. Estive na casa dele na terça-feira junto com a repórter Mariana Becker, da Rede Globo, e fui ao tradicional evento que ele oferece aos mecânicos de suas equipes, neste caso a Williams, no Kartódromo Granja Viana na quarta. Pude bater dois bons papos com o piloto, que serviram para reafirmar a impressão que já tinha. Perderemos um excelente personagem se tiver de se aposentar da Fórmula 1. Aos 39 anos, Rubinho ainda tem muita lenha para queimar.

Barrichello não merece encerrar sua carreira desta maneira amarga, após um ano ruim por causa do péssimo carro da Williams. Acho que não é o desejo de ninguém. Ele teve uma carreira recheada de sucessos. O título mundial não veio. Paciência. Não é necessário ser campeão para ser considerado referência. E isso Rubinho pode se gabar de ser na Fórmula 1. Ninguém fica 19 anos seguidos na maior categoria do automobilismo em vão. Para isso, basta ver o número de pilotos que entraram e saíram da F-1 em todas estas temporadas. É difícil se firmar em um ambiente tão competitivo sem talento. E isso ele tem de sobra. O público brasileiro ficou mal-acostumado após ter três campeões seguidos: Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna.
Rubens Barrichello e sua família
Para confirmar isso, basta ver a opinião dos ex-chefes e ex-companheiros de Rubinho. Até mesmo Michael Schumacher, com quem o brasileiro teve uma relação conturbada na época da Ferrari e em alguns encontros na pista depois, diz que sentirá falta do veterano nas pistas. É claro que a situação do contrato de Barrichello não é das mais fáceis. A Williams vive uma fase complicada, precisa de dinheiro. O venezuelano Pastor Maldonado trouxe os petrodólares venezuelanos no início de 2011. Em termos de dinheiro, parece plausível colocar mais um pagante no time. Mas pode ser também o passo definitivo para se tornar um time pequeno. Logo a Williams, uma das equipes mais laureadas da história da F-1, último reduto dos garagistas ingleses.

Rubinho não quer clima de despedida em Interlagos. Com razão, a meu ver. O brasileiro está correndo atrás de patrocinadores para tentar assegurar sua vaga na Williams. Existem também outras negociações. Outra chance possível é na Renault-Lotus, futura Lotus, de Eric Boullier. Mas a tendência mesmo é continuar no time inglês. Rubinho me pareceu muito tranquilo. Deixou a ansiedade de lado e está curtindo o momento, ao lado da família. Não há plano B ou coisa parecida. Para ele é seguir na Fórmula 1 ou curtir os filhos Eduardo e Fernando. Quaisquer destino a ser traçado será feliz para ele. Mas Barrichello ainda tem lenha para queimar na Fórmula 1. E é bom não dar a carreira dele por encerrada. Lembram da Brawn GP em 2009? Então…
Fonte: voandobaixo
Disponível no(a):http://globoesporte.globo.com/platb/voandobaixo/

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