
Marcas usam o Mundial de Motocross para exibir alta capacidade off-road de suas motos
por Rodrigo Machado
Auto Press
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Em geral, a presença das fabricantes em
competições é mais uma questão de exibição do que de desenvolvimento.
Dificilmente haverá uma utilização do que se aprende nas pistas nos
modelos de produção em massa. Entretanto, o Mundial de Motocross tem uma
singularidade: os veículos usados nas corridas são vendidos para o
público interessado em encarar trilhas.
Mesmo que tragam consigo uma
alta dose de tecnologia embarcada, os preços são altos mas não
proibitivos. Variam de R$ 10 mil a R$ 36 mil, dependendo da procedência e
cilindrada. São motos feitas especialmente para o fora-de-estrada e que
não trazem nada de semelhante com os modelos que vão para as ruas.
Hoje existem duas categorias principais
do Mundial. A MX2 é a de entrada, com motos de motores de quatro tempos
com até 250 cc ou dois tempos de 125 cc. A principal é a MX1, com
modelos de 450 cc ou 250 cc com dois tempos. São 17 etapas ao longo do
ano, com o final no dia 30 de setembro, na Bélgica – país com grande
tradição no esporte. A MX3 é menos popular. Conta com motos de 650 cc e
tem apenas 11 etapas. Sete marcas participam do torneio. As japonesas
Honda, Yamaha, Suzuki e Kawasaki, a austríaca KTM, a italiana TM e a
sueca Husqvarna – presente apenas na MX2.

No último final de semana, nos dias 20 e
21 de maio, na cidade de Penha, em Santa Catarina, o Beto Carrero World
recebeu a quinta etapa do torneio organizado pela Federação Mundial de
Motociclismo. No espaço do parque de diversões, foi montada uma pista de
2.050 metros. O público esgotou os mais de 20 mil ingressos para os
dois dias de competição e viu o inglês Tommy Searle e o francês
Christophe Pourcel dominarem as provas na MX2 e MX1, respectivamente.
Mecanicamente, a principal diferença das
motos que participam do mundial é o quadro. Todo feito de alumínio, ele
prioriza o baixo peso. Tanto é que, toda montada, elas pesam pouco mais
de 100 kg. A suspensão também tem papel importante. Ela é a responsável
por absorver as inúmeras imperfeições das pistas e ainda amortecer o
piloto nos imensos saltos realizados. "Essa é a parte mais importante.
Uma suspensão bem calibrada é 60% das motos de motocross", quantifica
José Luiz Terwak, gerente de pilotagem da Motor Honda do Brasil. Para
poder acertar melhor a dianteira, é possível fazer um ajuste fino com
até 40 níveis diferentes, tanto na parte superior, perto do guidão, como
mais próximo do eixo.
Os motores também são feitos
especialmente para as motos de off-road. Por não terem limites de
emissão ou compromisso com consumo, os propulsores são muito mais fortes
do que um correspondente de mesmo tamanho. Os números não são
divulgados oficialmente, mas as de 250 cc têm potência próxima aos 40 cv
e a de 450 cc fica perto dos 50 cv. Uma moto de rua com os mesmos 250
cc tem cerca de 22 cv. A transmissão é convencional, manual de cinco
marchas, mas tem as relações encurtadas. Apesar de não parecer para quem
presencia uma competição, existe um limite de ruído, medido antes de
cada etapa. Os freios são mais eficientes, com diâmetros superiores. O
cabo do dianteiro, por sinal, é feito com um material aeronáutico, que
pode controlar a sua própria dilatação. O escapamento é feito de uma
mistura de titânio e fibra de carbono para maior resistência. "Além de
tudo isso, um componente muito importante é o preparo físico do piloto.
Como a potência é alta e a moto é leve, é preciso força nos braços e nas
pernas para não virar passageiro", adiciona José Luiz, da Motor Honda.



Fonte: motordream
Disponível no(a): http://motordream.uol.com.br
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