21 de jan. de 2013

Aceleramos o Aston Martin Vantage Roadster em São Paulo!

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O que leva alguém a comprar um Aston Martin? A pergunta é pertinente, especialmente se levarmos em conta o alto preço dos modelos, lá fora e no Brasil. Para se ter uma breve ideia, aqui, o cheque mínimo que você terá de assinar para ter um carro da marca será de R$ 695 mil – preço do Vantage V8 Coupé.

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Por esse valor, você terá na garagem um carro de 425 cv. Belo, sem dúvida, porém você poderá ter o mesmo desempenho desembolsando bem menos. Na faixa de R$ 500 mil, e até por menos, a lista de carros que andariam junto do Vantage V8 inclui modelos da Mercedes-Benz (C63 AMG e SLK55 AMG), BMW (M3), Audi (RS5) e Porsche (911 Carrera S), só para citar alguns.
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A relação custo-benefício fica ainda mais complicada se colocarmos na conta o Vantage V8 conversível desta reportagem, cujo preço bate nos R$ 720 mil. Com essa grana, dá pra adqu…
Peraí, para tudo. Quer dizer que eu dirigi um Vantage V8 conversível no dia 15 de janeiro, quando a Aston Martin fez 100 anos, e estou falando em custo-benefício? Ok, admito que estou parecendo um idiota. A verdade é que a expressão custo-benefício nunca deve ser levada em consideração ao adquirir um Aston Martin. A ideia aqui é outra – diz respeito ao trinômio da marca “Power, Beauty and Soul”. Tem mais a ver com estilo, com uma filosofia, do que com a frieza dos números da ficha técnica.

Por fora

“Reclama da pasteurização facial dos carros da Volkswagen e acha os Aston Martin, que são todos parecidos, lindos”. A frase anterior poderia estar acompanhada da foto do Jeremy Clarkson, em mais um meme automotivo que circula pelo Facebook. Sim, os Aston parecem entre si. E sim, todos são lindos. Ou você não gostaria que todas as mulheres se parecessem com a Megan Fox? Acabou de descobrir a diferença dos nomes que abriram este parágrafo.
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O design atual da linha é uma evolução do DB7, de 1994. Por sua vez, este remete aos clássicos da marca, como o DB5 dos anos 1960. A principal marca dos carros é a grade sequestrada pelo de Ford Fusion dianteira, que se destaca e cria um aspecto de “boca”, como nos antigos carros de Fórmula 1 e de turismo. O formato dos faróis também são similares entre os modelos da marca, mas há particularidades no detalhamento e mesmo nas silhuetas.
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Uma das coisas que notei é que, caso o comprador faça questão de adquirir o Roadster, ele deveria assinar um compromisso de nunca levantar a capota. Com ela erguida, o Vantage fica menos sexy. Imagine uma menina bonita com um boné de rapper. Ela continua sendo bonita, mas aquele boné de aba reta não deveria estar ali.
Com o teto de tecido recolhido, a coisa muda de figura. É impressionante o jogo de reflexos que a carroceria de todos os Aston é capaz de produzir. Vincos e curvas formam um efeito hipnótico e detalhes como as entradas de ar nos para-lamas dianteiros completam o visual. Não há exageros. Não há partes que façam você pensar “bem, aqui começa outro carro”. Equilíbrio é a palavra.

Por dentro

A expressão “corte de custos” não existe no dicionário da Aston Martin. Que eu tenha notado, apenas as hastes dos piscas e do limpador de para-brisa, além dos botões que controlam o câmbio, são de plástico. O restante do interior é revestido de alumínio, couro (normal e Alcantara) e outros materiais nobres. Luxuoso, sim. Afetado, não.
Quem trabalha na Aston gosta de dizer que, no carro todo, se algo parece feito de um material “x”, certamente ele é feito deste material. O resultado é um acabamento muito acima da média, sem imperfeições, inclusive em peças fora do habitáculo, como a barra estabilizadora que se destaca no cofre do motor. E praticamente todos os itens de acabamento do carro podem ser customizados. O que pode ser um problema, afinal dinheiro nem sempre traz bom gosto.
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Mesmo com bancos do tipo concha, estar a bordo do carro não te dá aquela típica sensação visceral, crua, de um esportivo. O isolamento acústico é bom, mas apenas suficiente para que não se deixe de ouvir a nota grave dos escapamentos. O motorista viaja alinhado aos pedais e, embora a ergonomia não seja perfeita, já que alguns comandos ficam menos acessíveis, de maneira geral ela não compromete.
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A visibilidade é boa para os lados e para a frente, porém o vidro traseiro, extremamente inclinado, se mostra um problema. É justo pensar que, com um carro desse, você vai olhar pouco para trás. Eventualmente, contudo, haverá a necessidade de estacionar. Aí a coisa tende a complicar um pouco…
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Infelizmente, graças à intervenção de São Pedro, aquele filho da sujeito temperamental, não foi possível avaliar o carro com a capota recolhida e analisar pontos como a turbulência do ar com o carro em movimento. Como a intenção não era transformar o carro em uma banheira móvel de quase R$ 1 milhão, esse teste ficará para uma próxima oportunidade.

Como anda, como corre

O Vantage V8 conversível é um carro sólido e deixa isso claro desde o primeiro contato. Não chega a ser excessivamente duro – ele encara algumas imperfeições do asfalto com ginga, sendo um carro bem usável nas torturantes ruas brasileiras. Mesmo sem teto rígido, não há sinais de que a carroceria torça muito. A contrapartida vem no peso: são 80 kg a mais do que a já pesada versão cupê (1.630 kg contra 1.710 kg), decorrentes dos reforços estruturais.
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O desempenho dá água na boca, com um 0-100 km/h de 4,9 s (declarados). A carroceria se mantém bem equilibrada nas curvas, com dinâmica neutra, e a tração traseira ajuda na dirigibilidade. Não dá para dizer que é um monstro andando, já que a sensação de estar dirigindo um carro pesado é constante. Mesmo assim, o conjunto mecânico faz o motorista colar no banco com muita facilidade. Mérito do motor V8 de 4,7 litros. Aspirado, ele rende 425 cv e 47,9 kgfm de torque e leva o Vantage V8 Roadster aos 290 km/h de velocidade máxima. O propulsor também utiliza cárter seco, o que permite instalação bastante recuada e baixa no cofre do motor.
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O câmbio, por sua vez, precisa evoluir. Automatizado de embreagem simples, requer alguma perícia do condutor em tocada mais forte, aliviando o pé do acelerador antes de cada mudança. Caso contrário, os trancos serão inevitáveis. Ele tem seis marchas e a possibilidade de trocas por meio de borboletas atrás do volante. Como seria de se esperar, não segura o carro em saídas de ladeira.
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O carro também vem com os anjos eletrônicos: controle de estabilidade e de tração, além de dois modos de condução – Sport e Comfort. Aqui vale uma ressalva: ao contrário do normal, o modo Comfort é ideal para se andar em uma estrada em velocidade constante, já que deixa o carro mais manso e um tanto moroso para, por exemplo, sair de um semáforo, o que não acontece com o modo Sport.
Em linhas gerais, quando o assunto é desempenho o Vantage V8 Roadster não é um carro que vai te tornar o rei da rua. Mas está totalmente longe de te transformar em bobo da corte.

Bottom line

Comecei esse texto perguntando o que levaria alguém a comprar um Aston Martin. A resposta é simples e pode ser resumida na equação “status + qualidade + desempenho – ostentação”. Sim, os carros da marca são discretos. Poucas vezes passei tão despercebido na rua a bordo de um carro de mais de meio milhão de reais. Não recomendo pra milionários carentes.
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E este é o grande barato. O dono de um Aston sabe que o carro tem um motorzão, mas não é do tipo que vai transformar toda saída de semáforo em uma drag race. Ele sabe que seu carro é lindo, mas não vai parar em um posto de gasolina para ficar se exibindo, nem andar pelas ruas com o som no último volume. Ele tem um carro com uma chave de cristal, mas não vai ficar andando com ela pendurada no bolso ou então deixá-la à mostra sobre uma mesa de restaurante. Elegância é a alma do negócio – não é brinquedo de emergentes.
Outra coisa: quem curte somente desempenho não irá comprar um Aston. Esses carros não são feitos para esse tipo. Agora, se a ideia é ter um carro que, quando você entre nele, faça você parecer estar vestido com um terno – mesmo que esteja trajando uma camisa florida havaiana, qualquer Aston será o seu número.
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Ah, um adendo. Tentei resistir e não citar neste texto que a Aston Martin é a marca “oficial” do agente secreto James Bond. Contudo, se todos os argumentos acima ainda não foram suficientemente convincentes, eu falo: a Aston Martin é a marca “oficial” do agente secreto James Bond. Mas ela é muito, muito mais do que isso.

Ficha Técnica – Aston Martin V8 Vantage Roadster

Motor: V8, longitudinal, 4.735 cm³, aspirado, 32V, gasolina
Potência: 425 cv a 7.300 rpm
Torque: 47,9 mkgf a 5.000 rpm
Transmissão: automatizada de embreagem simples, sete marchas, tração traseira
Suspensão: Dianteira e traseira independentes, do tipo duplo A
Freios: Discos ventilados na frente e atrás
Pneus: Bridgestone Potenza RE050 245/40 R19 na frente e Bridgestone Potenza RE050 285/35 R19 atrás
Dimensões: 4,38 metros de comprimento, 2,02 m de largura (com espelhos), 1,26 m de altura e 2,60 m de entre-eixos
Peso: 1.710 kg
Itens de série: ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, volante multifuncional, rádio CD/MP3 com entradas USB, auxiliar e interface para iPod, banco com ajustes elétricos, volante ajustável em altura e profundidade, airbags dianteiros e laterais, controles eletrônicos de estabilidade e de tração, freios ABS com EBD
Preço: R$ 720.000
Fonte: Jalopnik
Disponível no(a): http://www.jalopnik.com.br
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