Caso a previsão meteorológica se consolide na tarde deste domingo e a prova seja disputada sob piso molhado, a decisão deverá tomar rumos imprevisíveis.
Vettel, com vantagem de 13 pontos na tabela de classificação, possui um carro mais equilibrado e é o favorito ao título. Nas últimas cinco corridas, o alemão chegou ao pódio, tendo vencido três delas – Suzuka, Yeongam e Buddh.
Alonso, por sua vez, aposta numa falha mecânica da RBR para ter chances de se sagrar campeão. Isso porque o espanhol, que também tem apresentado um ritmo de classificação discreto, só chegou atrás de Vettel no GP de Abu Dhabi, quando este foi obrigado a largar do pitlane. Alonso não vence uma prova desde o GP da Alemanha, em Hockenheim, no fim de julho.
Características do circuito
Embora muitos sintam falta do antigo traçado, o autódromo de Interlagos continua entre os favoritos dos pilotos da F1 ao lado de Spa-Francorchamps, Suzuka e Monza.
Construído em 1940 e situado 800m acima do nível do mar, o circuito é marcado pela topografia acidentada – o que demanda potência nos motores –, mesclando curvas de baixa e de alta velocidade com duas grandes retas.
Em termos de acerto, o ideal é equilibrar uma mistura de alta pressão aerodinâmica para o sinuoso setor de baixa entre a Descida do Lago e o Bico do Pato com alta velocidade para os trechos de reta, especialmente na saída da Junção.
Interlagos também é uma das poucas pistas no atual calendário em que se usa o sentido antihorário. Entre as atuais pistas com este tipo de configuração, estão o circuito das Américas, nos Estados Unidos; o de Marina Bay, em Cingapura; e o de Yeongam, na Coreia do Sul.
Pontos críticos
“S” do Senna (curvas 1 e 2): um sinuoso trecho intermediário entre a reta dos boxes e a curva do Sol que começa com uma descida à esquerda, feita em segunda marcha. Em razão da brusca queda de velocidade, os pilotos precisam ser cautelosos com os freios na chegada ao trecho.Laranjinha (curva 7): o ponto mais lento do circuito exige precisão do piloto e bom equilíbrio aerodinâmico. Neste apertado contorno à direita, é fácil perder tempo, especialmente nas voltas de classificação.
Junção (curva 12): no último contorno antes da longa reta dos boxes, é importante estar equipado com um motor confiável – uma tarefa difícil em decorrência da leve perda de potência em Interlagos – que possa sustentar o torque até a chegada.
Pneus
Devido à topografia de Interlagos, a Pirelli prevê uma corrida com alto desgaste lateral e longitudinal nos pneus. As equipes, que terão à disposição pneus duros e médios – os compostos mais resistentes nesta temporada –, também precisam estar de olho na possibilidade de chuva.Durante os treinos livres, também será testada uma prévia dos compostos para a próxima temporada. De acordo com o diretor da Pirelli, Paul Hembery, os novos pneus traseiros vão se desgastar de forma diferente, o que mudará a forma como o ar circula pelo carro.
Previsão do tempo
Sexta-feira: tempo ensolarado de manhã e nublado à tarde (min. 16º C; máx. 29º C)Sábado: tempo ensolarado de manhã e instável à tarde (min. 21º C; máx. 34º C)
Domingo: pancadas de chuva (min. 19º C; máx. 25ºC)
Fique de olho
Se a previsão de tempo se confirmar, a decisão do título entre Sebastian Vettel e Fernando Alonso deve acontecer sob chuva. Esta seria a sétima vez em que o GP decisivo do campeonato seria disputado sob piso molhado.No momento, Vettel tem 273 pontos, 13 a mais do que Alonso. Para garantir a taça, o alemão precisa encerrar a prova entre os quatro primeiros, independentemente da posição do adversário.
O piloto da Ferrari, por sua vez, tem à frente uma tarefa mais difícil: precisa vencer e torcer para Vettel terminar a prova, no máximo, em quinto.
AS CHANCES DE TÍTULO PARA VETTEL E ALONSO
Sebastian Vettel
Terminar a prova entre os quatro primeiros
Terminar em quinto, sexto ou sétimo e torcer para Alonso não vencer
Chegar em oitavo ou nono e Alonso terminar, no máximo, em terceiro
Chegar em décimo ou abandonar e Alonso não ir ao pódio
Fernando Alonso
Vencer o GP do Brasil e Vettel chegar, no máximo, em quinto lugar
Chegar em segundo e Vettel encerrar a prova abaixo da oitava colocação
Chegar em terceiro e Vettel terminar em décimo ou fora da zona de pontuação
Retrospecto brasileiro
Ainda que Alain Prost seja o maior vencedor da história no GP do Brasil – seis vezes, cinco delas em Jacarepaguá, sede da prova em 1978 e entre 1981 e 1989 –, o retrospecto dos pilotos locais na corrida é relativamente bom. Ao todo, cinco pilotos locais triunfaram nove vezes – 22,5% do total – na prova entre 1973 e 2011.Os triunfos mais recentes foram obtidos por Felipe Massa. Em 2006, o piloto da Ferrari liderou 69 das 71 voltas na decisão que definiu o último título de Fernando Alonso, à época na Renault. Dois anos depois, o brasileiro venceu em Interlagos, mas perdeu o troféu de forma dramática na última curva para Lewis Hamilton, da McLaren.
Nos anos 1970, Emerson Fittipaldi venceu as duas primeiras edições oficiais da corrida. Em 1973, o brasileiro dominou a prova em Interlagos, chegando à frente com uma larga vantagem para Jackie Stewart, da Tyrrell.
Na temporada seguinte, Fittipaldi, já na McLaren, largou mal, mas aproveitou-se do desgaste de pneus no Brabham de Carlos Reutemann para assumir a liderança na 16ª volta e conquistar sua segunda vitória consecutiva no campeonato. No fim do ano, sagrou-se bicampeão mundial.
José Carlos Pace, o “Moco”, conquistou sua única vitória na carreira em Interlagos. Com um Brabham BT44, o paulista superou o companheiro de equipe Reutemann e resistiu à pressão do pole Jean-Pierre Jarier, da Shadow, para completar o percurso de 318,4 quilômetros na liderança.
Esta prova ficou marcada pela presença de dois brasileiros nas primeiras posições: “Moco”, no topo do pódio, e Emerson Fittipaldi, em seu último ano na McLaren, em segundo.
Nos anos 1980, a etapa brasileira mudou-se para Jacarepaguá e teve amplo domínio de Alain Prost. O francês venceu cinco edições, uma pela Renault e quatro pela McLaren, e faturou um segundo lugar.
O melhor GP para os pilotos locais aconteceu em 1986, quando Nelson Piquet, da Williams, e Ayrton Senna, da Lotus, ocuparam as duas primeiras posições no pódio. Em 1982, Piquet cruzou a linha de chegada em primeiro, mas a Fisa cassou a vitória após constatar que seu carro estava abaixo do peso regulamentar. O brasileiro confirmou o triunfo no ano seguinte, desta vez sem punições.
O tricampeão mundial Ayrton Senna venceu em 1991 e 1993. A primeira vitória já foi relatada acima e ficou para a história da F1. Em 1993, o brasileiro se beneficiou do acidente do favorito Prost e obteve sua primeira vitória na temporada e a 100ª na história da McLaren.
Outro piloto local, Rubens Barrichello, largou três vezes na pole – 2003, 2004 e 2009 –, mas teve pouca sorte nos domingos. Dos 19 GPs que disputou em Interlagos, o paulista abandonou 11, nove por falhas mecânicas. Seu melhor desempenho foi um terceiro lugar em 2004, a bordo de uma Ferrari.
Ficou para a história
Maior brasileiro na história da F1, Ayrton Senna conquistou de forma dramática sua primeira vitória doméstica em 1991. A 20 voltas do fim, o piloto da McLaren liderava a corrida com boa vantagem para Riccardo Patrese, da Williams, quando constatou um sério problema na caixa de câmbio do MP4/6. Primeiro, ficou sem a quarta marcha, depois sem a quinta, e a sete giros do término, só sobrou a sexta.A partir daí, Senna teve de segurar o carro no freio e depender da propulsão do motor Honda para se manter na pista. O brasileiro afirmou à época que se esforçou tanto para estabilizar o carro no traçado que acabou com a prova com espasmos musculares e uma “dor absurda” nos braços.
Outra edição marcante ocorreu em 2003. Devido a um problema de drenagem, a prova foi duramente afetada pelo temporal que caiu em São Paulo e vários pilotos, entre eles Michael Schumacher, derraparam na curva do Sol, no final da reta oposta.
No 55º giro, a corrida foi encerrada de forma prematura pela organização após Fernando Alonso, da Renault, tocar uma roda de Mark Webber, que havia acidentado seu Jaguar R4 no muro, e bater violentamente no muro de proteção. Kimi Raikkonen, da McLaren, originalmente levou a vitória, à frente de Giancarlo Fisichella, da Jordan.
Cinco dias após a realização da prova, tudo mudou. A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) decidiu, após uma reunião de emergência, declarar Fisichella como vencedor após assumir um erro no sistema de cronometragem.
A entidade havia presumido que a bandeira vermelha fora acionada quando Fisichella ainda estava na 55ª volta. Pela regra vigente na F1, se a corrida é interrompida antes do final, vale a classificação da penúltima volta completada.
Como no início da 53ª passagem, o italiano não havia ultrapassado Raikkonen, a vitória fora concedida ao finlandês. No entanto, evidências recebidas pela FIA mostraram que Fisichella iniciara a 56ª passagem, o que lhe garantira a vitória já que havia passado o finlandês duas voltas antes. Com isso, pela primeira vez na história, a FIA alterou o resultado de uma prova em decorrência de um erro na cronometragem.
Comissário convidado
Tom Kristensen (DIN)Data de nascimento: 7 de julho de 1967 (45 anos)
GPs na F1: nenhum
Equipes: Tyrrell (1998, como piloto de testes)
Títulos no automobilismo: octacampeão das 24 Horas de Le Mans (1997, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2008); hexacampeão das 12 Horas de Sebring (1999, 2000, 2005, 2006, 2009 e 2012); campeão da Petit Le Mans (2002); vice-campeão do Mundial de Endurance na categoria Pilotos (2012)
Programação *
Sexta-feira:10h00 – 11h30: Primeiro treino livre (SporTV)
14h00 – 15h30: Segundo treino livre (SporTV)
Sábado:
11h00 – 12h00: Terceiro treino livre (SporTV)
14h00: Treino classificatório (TV Globo)
Domingo:
14h00: Corrida – 71 voltas
(*) Horário de Brasília.
Fonte: Tazio
Disponível no(a):http://tazio.uol.com.br
Comente está postagem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário