23 de mar. de 2012

Castroneves mostra otimismo para 2012: “Estou empolgado”

Brasileiro entra em sua 15ª temporada buscando título inédito e recorde de Indianápolis

Hélio Castroneves (Phillip Abbott/LAT)
 
A temporada 2011 não foi boa para Hélio Castroneves, que terminou apenas na 11ª colocação do campeonato enquanto seus dois companheiros de equipe, Will Power e Ryan Briscoe, foram segundo e sexto, respectivamente.
Mas o piloto se diz pronto para deixar a má fase para trás e voltar a disputar as primeiras posições da classificação geral 2012, ano em que a Indy passa por diversas mudanças, como o chassi e o regulamento de motores.

Em 14 temporadas na categoria (4 pela Cart e 11 na IndyCar), ele acumula 25 vitórias (na soma das duas) e agora foca em conquistar o título inédito e igualar o recorde de triunfos nas 500 Milhas de Indianápolis, onde já triunfou três vezes, uma a menos que o trio AJ Foyt, Al Unser e Ricky Mears. “Estou preparado”, exclama.
Em entrevista ao Tazio Autosport, ele apontou os seus companheiros de equipe como seus principais concorrentes ao título e a regularidade como chave para o campeonato.
Confira a entrevista de Hélio Castroneves:
Como foi a preparação e os testes para esta nova temporada da Indy em 2012?
Estou preparado. Faz muito tempo que a equipe não passa por este tipo de programa de testes, já que o último carro era muito antigo. As equipes estão trabalhando quase que 24 horas por dia. Sábado e domingo também. Eles passaram praticamente os últimos finais de semana inteiros fazendo isso. Esperamos ter um bom acerto. Mas assim que entramos em um circuito de rua, muita coisa pode mudar como também pode prevalecer.
Como foi o seu trabalho durante os testes para desenvolver o novo carro e motor?
O legal de tudo isso é que tivemos a oportunidade de conhecer o carro e desenvolver situações que são melhores para nós. Nesse caso, por exemplo, foi muito bom termos passado por isso com os engenheiros da equipe e de motores. Eu volto um pouco ao que era há dez anos, quando podíamos mexer mais nesta área. E isso é legal, pois isso que fascina você poder desenvolver, conversar com o engenheiro, poder tentar melhorar alguma coisa, tanto na parte de confiabilidade quanto de desempenho. Foi um processo muito legal e estou empolgado para começarmos logo.
No começo dos testes, alguns pilotos disseram que o carro tinha um problema de balanço. Você acha que ele está em um bom estágio de desenvolvimento agora para começar a temporada?
Acho que o carro ainda tem muito que desenvolver, mas é igual para todo mundo. Estão todos no mesmo ritmo e espero que possamos tirar proveito deste resultado e continuar aprendendo e melhorando o carro. Mas, neste sentido, está todo mundo na mesma balada. Então, a diferença mesmo vai ser um pouco no motor e obviamente aquele que encontra o melhor acerto.
E do que você viu dos testes coletivos, dá para fazer uma comparação entre equipes e motores, se a Penske e a Ganassi já dão um salto na frente das outras?
Espero que sim, que a Penske esteja na frente das outras, mas eu não posso olhar muito que as outras equipes estão fazendo. Eu tenho feito um trabalho muito focado no nosso grupo e espero que estes testes que fizemos sejam benéficos e que possamos mostrar isso já em São Pete.
Alguém te chamou a atenção durante os testes?
Acho que meus companheiros de equipe, o Will [Power] e o Ryan [Briscoe], andaram muito rápido. O Rubinho [Barrichello] andou muito bem, se adaptou muito rápido ao carro. Mas você não sabe que pneus que eles estavam usando. Tinham três tipos de pneus, um de rua, um para misto, um mais duro, ou seja, todo mundo usava estes pneus em situações diferentes. Mas, para ser sincero, acho que o problema vai estar em casa mesmo este ano.
Hélio, você não fez uma boa temporada em 2011, como você se preparou psicologicamente para tentar virar isso em 2012?
Colocar tudo para trás. É muito simples fazer a matemática: se tem 17 corridas e você termina praticamente sete, obviamente que a sua temporada não vai ser boa. Então, é mudar este lado, ser mais constante e ter um pouco mais cautela. Então, estamos mais focados nesta área.
A Indy está passando por uma grande reformulação, carro, motor, calendário com menos ovais, até mesmo alguns dirigentes, diretor de provas, comissários. Você acha que ela está no caminho certo?
Acho que este ano será de remodelação pelo que aconteceu no final do ano passado com acidente do Dan Wheldon [o inglês morreu após sofrer um acidente no oval de Las Vegas]. Então, vamos passar por uma revisão de alguns lugares, principalmente nos ovais. Pelo que tenho visto, vamos explorar novos mercados que a categoria tenha vantagem. Por isso temos muito mais circuitos de rua do que ovais. Acredito que às vezes dar um passo para trás é importante para depois dar dois para frente, então, acho que a categoria está olhando assim e é a maneira certa.
Na F1, depois da morte do Ayrton Senna, em 1994, ela passou por uma reformulação buscando mais segurança, mudando conceitos e regras. A Indy está passando agora por este mesmo processo agora após a morte do Dan Wheldon?
Acho que sim, tanto que o carro deste ano já é mais seguro. Mesmo antes do acidente do Dan, ele já estava em desenvolvimento e acredito que se o carro estivesse sendo usado na corrida de Vegas, o Dan Wheldon estaria participando da temporada 2012. Foi uma fatalidade, mas estamos olhando para este lado. O carro é mais aerodinâmico, o piloto tem mais espaço no cockpit. Mas esta é a parte triste do automobilismo, que é um esporte de risco. Ainda existe certo risco. Por isso que não são tantos ovais este ano, para podermos escolher quais que devemos participar e manter a emoção, a competição e a segurança.
Sobre São Petersburgo, primeira corrida, quais são as principais características da pista, o que dá para esperar da prova?
É uma pista interessante porque você tem uma reta enorme, a reta do aeroporto, mas é um circuito de rua, com curvas bem fechadas e trechos estreitos. Justamente na área do aeroporto, muda o asfalto, é mais áspero, e causa um desgaste maior dos pneus. Vai ser interessante e estou empolgado para começar esta temporada de 2012. Estou esperando um bom resultado, principalmente por ter mudado um pouco o estilo de pilotar, freando agora com o pé esquerdo, como kart mesmo. Então, bem ansioso para estrear neste estilo diferente e repetir o resultado que já tivemos em 2006 e 2007 [quando venceu o circuito].
Ano passado você começou mal e depois teve que correr atrás. Você acha que começo de temporada é importante pensar mais em constância ou acha que tem que ir para cima mesmo?
Acho que as três primeiras provas são as mais importantes. Você pode ver pela história dos campeonatos. Não são as decisivas, mas elas contam uma porcentagem muito grande para que você consiga um resultado bom no campeonato.
Você tem um grande adversário na disputa interna que é o Will Power, que tem dominado as corridas nos mistos nas últimas duas temporadas. Como superá-lo?
Falando brincando, tem que quebrar um pedaço das costas dele de novo. [risos]. O cara realmente é talento, muito bom. Não tenho problemas para falar das qualidades dele. Ele é um piloto com características diferentes. Outro piloto que eu também achava muito rápido e até mais inteligente, jogador de pôquer, era o Gil de Ferran, que nunca mostrava até o momento que precisava. Já o Will é o contrário. Ele tem um toque especial no circuito misto, gosta de andar de uma forma um pouco diferente, e por isso que está levando certa vantagem. Ele é acirrado, agressivo e constante. Às vezes um piloto consegue fazer uma curva melhor, mas na outra perde, ele consegue fazer todas as curvas muito bem. E o ritmo de corrida é diferente, ele é esperto suficiente para ser mais tranquilo e constante durante a corrida. Eu realmente o vejo como um competidor dentro da equipe, ainda mais porque ele tem o mesmo equipamento que eu tenho.
Na briga particular da Penske com a Ganassi, a Ganassi levou a melhor nos últimos anos, especialmente na reta final do campeonato. O que você acha que está faltando para a Penske nesta disputa?
Acho que é o conjunto. Não só um piloto, mas os três. Tentar colocar os três nesta disputa, não só para tirar pontos da Ganassi, mas até para estimular a briga interna. Você tendo três chances para ganhar o campeonato, é melhor que duas. Então é continuar no mesmo ritmo e trabalhar, pois a Ganassi está fazendo a lição de casa.
Nesta primeira fase do campeonato tem uma corrida importante para os brasileiros, em São Paulo, e depois as 500 Milhas de Indianápolis, em que você tentará de novo igualar o recorde de vitórias. Você já cria alguma expectativa especial para estas duas provas?
Brasil vai ser incrível com esta vinda do Barrichello. Acredito que quando você passa 19 anos na F1, você atrai muito público, muita atenção. Vai ser legal para todos os brasileiros que participam da corrida. E obviamente é muito legal estar correndo em seu país, tendo a torcida do seu lado e é uma das poucas vezes que eu posso ouvir anunciarem o meu nome da forma certa. [risos]. Não é Hilio, Rulio, Hello. É muito legal correr no Brasil. Sobre Indianápolis, quando você está tão perto de poder igualar um recorde de três lendas do automobilismo [AJ Foyt, Al Unser e Ricky Mears, com quatro vitórias] é incrível. Será mais uma vez uma honra de poder participar e de ter a oportunidade de tentar igualar o recorde.
Tem uma passagem na sua biografia em que você destaca aquele momento em que seu nome é aclamado pelo público em Indianápolis no grid. É um momento, uma sensação diferente?
Aquele lugar é mágico, sempre disse isso. É incrível como o lugar a história, aquela pista realmente tem um lado que só a pessoa estando lá e vivendo aquele momento para poder explicar. Eu só tenho que agradecer a Deus pela oportunidade de ter vencido lá três vezes. Então, hoje eu me sinto em casa quando vou para Indianápolis, que é uma pista bem desafiadora, mas é recompensadora. Isso não é igual a outras provas e isso é que a faz ser tão diferente e especial.
Até pelo momento da Indy depois da morte da Wheldon, a chegada de um piloto como Rubens Barrichello, com vitórias na F1, ajude a Indy a recuperar um pouco da credibilidade da categoria?
Acho que sim, o nome do Rubinho é conhecido mundialmente, talvez nos Estados Unidos a F1 não seja tão conhecida como no resto do mundo, mas temos corridas na China, no Brasil, no Canadá. Além disso, como você disse, a F1 preza muito a segurança, e a vinda do Rubinho mostra que a categoria é segura e isso dá credibilidade a todo mundo. Ele está em uma situação muito boa, nem precisava estar correndo, mas é um cara que eu admiro por amar tanto o automobilismo e sentir esta vontade de estar dirigindo um carro de corrida. Isso, para mim, não importante a idade que você tenha, grande ou pequeno, realmente é o que faz um piloto. Tenho certeza que, para a categoria, será muito importante ter o Rubinho aqui.
Fonte: tazio
Disponível no(a): http://tazio.uol.com.br
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