8 de mai. de 2012

Teste: JAC J6 sofre com problema de etiqueta

 Fotos: Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Teste: JAC J6 sofre com problema de etiqueta
Preço elevado para um automóvel chinês faz as vendas da minivan JAC J6 patinarem no Brasil


A desconfiança na hora de comprar é sempre diretamente proporcional ao custo de um produto. Qualquer um se arrisca a comprar uma calculadora “made in China” que custe R$ 9,90. Na hora de comprar um carro, no entanto, a coisa muda de figura.
Quanto maior o preço, mais difícil apostar. E é desse mal que padece o JAC J6. Chegou em agosto do ano passado para brigar entre as minivans. Mesmo sendo bem mais barato que a principal concorrente, a veterana Chevrolet Zafira, nunca conseguiu ameaçar.

Durante 2011, mesmo com algumas oscilações, o J6 alcançou a média de 480 unidades mensais. A rival, que só é comercializada na configuração de sete lugares, ficou com 640 exemplares mensais. Em 2012, a diferença está ainda maior. E com um agravante. Em janeiro, exatamente quando o IPI para carros importados começou a valer de fato, a JAC diminuiu o preço da sua minivan em R$ 2 mil. Assim, a versão de cinco lugares passou a valer R$ 56.800 e a de sete R$ 57.800. Enquanto isso, a Chevrolet cobra quase R$ 66 mil por uma Zafira equipada da mesma maneira. Só que as vendas do J6 emagreceram mais que seu “garoto propaganda”, o eufórico apresentador televisivo Fausto Silva. Perderam a metade do volume anterior – foram 220 carros/mês, enquanto a Zafira caiu para 440 emplacamentos mensais. Ou seja, para os monovolumes e para os apresentadores de televisão, o quesito novidade não parece ser tão importante assim.



Se o preço mudou, o resto do J6 continua o mesmo do lançamento. Isso inclui o desenho bem resolvido da minivan chinesa. A marcante frente tem uma grade cromada que recebe a estrela de cinco pontas, emblema da marca, e ainda tem os faróis delineado por curvas que se estendem até o para-choque. De lado, a grande área envidraçada e a linha de cintura ascendente são chamativas. Também existe um vinco pouco acima das maçanetas que vai terminar apenas nas imensas lanternas traseiras. Lá atrás, um grosso friso sobre a placa e um pequeno aerofólio dão os toques finais ao estilo.

Entretanto, o visual não deve ficar assim por muito tempo. Durante o Salão de Pequim, que acabou no dia 2 de maio, a JAC Motors revelou uma leve reestilização da minivan, com direito a mudanças também no interior. O novo carro não deve demorar muito para chegar ao Brasil: o seu lançamento pode acontecer ainda neste ano. No próprio evento chinês, o modelo foi apresentado com um câmbio CVT – de relações contínuas – que também deve ser importado para cá, mas em um segundo momento.



Ponto a ponto

Desempenho –
Para uma minivan de uma tonelada e meia, o J6 até que acelera com desenvoltura. O torque máximo de 19,1 kgfm é alto para um motor dessa cilindrada, mas só chega em sua totalidade aos 4 mil rpm, mesmo com o comando variável de válvulas na admissão. Assim, para manter o veículo “aceso”, é necessário pisar fundo e manter os giros lá em cima. O zero a 100 km/h em 13,1 segundos é razoável para um carro das dimensões e propostas do J6. O câmbio tem engates precisos e até macios. Nota 7.
Estabilidade – O maior veículo da JAC é surpreendentemente estável. Não é que se deva manter uma tocada mais ousada na minivan. Mas, se for necessário, o carro mantém a segurança em mudanças de direção bruscas. É claro que, em um modelo familiar, a suspensão é mais voltada para o conforto do que para esportividade, o que significa rolagens e torções na carroceria em curvas mais fechadas. Em retas, existe boa comunicação entre volante e rodas, sem grande flutuação. Nota 7.
Interatividade – O tom da iluminação toda azul do interior ofusca um pouco a visão. E às vezes a leitura dos instrumentos é prejudicada. O resto dos comandos é bem simples de ser usado e tem localização intuitiva. A grande área envidraçada na frente e atrás permite uma boa visibilidade do trânsito à volta do motorista. O volante tem botões multifuncionais – que, em alguns momentos, não funcionaram corretamente na unidade testada. Além disso, à noite não dá para saber o que cada um faz, já que não são iluminados. Nota 5.
Consumo – O JAC J6 não tem computador de bordo para medir o consumo. Na bomba de combustível, a minivan conseguiu uma média de 8,5 km/l de gasolina. Nota 7.
Tecnologia – O modelo da marca chinesa é completo, como suas propagandas não cansam de repetir. Estão lá airbag duplo, ABS com EBD, ar digital, rádio, sensor de estacionamento, retrovisor eletrocrômico, entre outros. O motor também surpreende. Tem comando variável de válvulas e entrega bom desempenho e consumo razoável. Nota 7.
Conforto – O espaço interno é o forte da minivan da JAC. Os cinco ocupantes das duas primeiras fileiras desfrutam de grande conforto, sem nenhum aperto. A terceira fileira é mais compacta. Ali, apenas crianças viajam sem reclamação. A suspensão também é bem calibrada e consegue passar boa dose de conforto para o interior. Os bancos de couro – opcionais – poderiam ter mais apoios laterais e lombares. O baixo isolamento acústico compromete as possibilidade de conversar a bordo. Nota 7.



Habitabilidade – O porta-malas do J6 é generoso. São 720 litros com a terceira fileira de bancos rebaixada. Com ela em pé, ainda sobra um espaço considerável para levar bagagens – 198 litros. Se a necessidade de espaço for maior ainda, a segunda fileira pode ser rebatida, criando uma área com 2.200 litros. As portas abrem em bom ângulo e permitem fácil acesso ao interior. Entrar na terceira fileira é bem mais complicado, como em quase todo carro com essa configuração de bancos. É necessário algum contorcionismo para se acomodar ali. Nota 8.
Acabamento – Na checagem visual, o J6 fica devendo em termos de acabamento. Os plásticos com aparente de baixa qualidade dão a impressão de falta de resistência. Ao toque, a situação não muda. A parte emborrachada do painel é tosca e não passa o requinte esperado para um carro de quase R$ 60 mil. Várias peças batiam e faziam barulho em qualquer imperfeição do piso, o que incomodava um bocado. O revestimento em couro dos bancos parecia de um carro velho, apesar de o modelo testado ter apenas seis meses e menos de 7 mil km rodados. Nota 4.
Design – Do lado de fora, a minivan da JAC traz um visual bastante harmônico e imponente. As linhas curvas são modernas e a grande área envidraçada é um dos destaque em termos de design. A dianteira tem uma grade cromada que sofistica o carro, enquanto a linha de cintura ascendente ajuda a passar sensação de maior tamanho. Nota 8.
Custo/beneficio – Mesmo em fim de vida – o substituto deve chegar no segundo semestre –, o principal rival do J6 é a Chevrolet Zafira. Com opção apenas de carroceria de sete lugares, a minivan da marca norte-americana é consideravelmente mais cara que a concorrente da China. A JAC cobra R$ 57.800 pelo J6, enquanto que, para ficar equipada de maneira semelhante, a Zafira pula para R$ 65.889, mas adiciona câmbio automático. Kia Carens e Citroën Grand C4 Picasso são bem mais dispendiosas e custam R$ 77 mil e R$ 98 mil, respectivamente. Outra minivan de 7 lugares do mercado nacional é a Nissan Grand Livina, que custa R$ 54.990, mas é menor. Contudo, onde ganha no espaço interno, o J6 perde bastante em acabamento e em qualidade de construção no interior. Entre os concorrentes de cinco lugares, o segmento perdeu a presença do Citroën Xsara Picasso, que parou de ser produzido. Nota 6.
Total – O JAC J6 Diamond somou 66 pontos em 100 possíveis.



Impressões ao dirigir


Além das aparências


Por fora e num primeiro olhar, o J6 se dá bem. Tem um desenho harmônico, bonito e até moderno. Entretanto a boa impressão não dura muito. Já no exterior, a unidade avaliada da minivan da JAC exibia algumas falhas graves para um carro de pouco menos de 7 mil km rodados. Três dos quatro pneus estavam avariados. Da também chinesa Champiro – em média 20% mais barato que os rivais mais tradicionais –, dois tinham bolhas e outro tinha um rasgo grande. Daqueles que botam em risco a segurança do veículo.

Por dentro, a sensação de falta de cuidado se amplia. Os materiais são pouco refinados e os encaixes também carecem de maior capricho. É o caso do “cinzeiro fantasma” do modelo avaliado – bastava passar em um buraco pequeno para que a peça abrisse. Sintomas similares aconteciam com os comandos no volante. Os botões que controlam o rádio eventualmente se revoltavam contra a função programada.


O botão que deveria aumentar o volume mudava a estação da rádio, por exemplo. Os bancos de couro exibiam claros sinais de envelhecimento precoce. O mecanismo de rebatimento para acesso à terceira fila de bancos, também já um tanto desgastado, mal disfarçava sua fragilidade. Mesmo o que funcionava corretamente também não chegava a inspirar muita confiança. O plástico emborrachado do painel, por exemplo, dá a impressão de ser o mais barato disponível no mercado.

Ao menos, o espaço interno é farto. Qualquer um dos cinco ocupantes que ficar nas duas fileiras de bancos vai ter boa área de movimentação. A terceira fileira deve ser dedicada às crianças. Adultos ali, só em caronas curtas – o piso elevado e o curto espaço para as pernas tornaria uma viagem longa desconfortável. O porta-malas é outro destaque. Leva 720 litros quando os últimos bancos são rebatidos e, quando estão de pé, ainda sobra um pequeno espaço.

A falta de cuidado com o acabamento, felizmente, não afeta o comportamento dinâmico do J6. O motor é valente. O torque máximo é bom, apesar de só chegar em 4 mil giros, uma rotação ligeiramente elevada. Assim, é preciso explorar bem o preciso câmbio manual de cinco marchas e pisar fundo no pedal da direita. Quando isso acontece, o J6 acelera com vontade e cumpre o zero a 100 km/h em 13,1 segundos, marca razoável para um veículo familiar.

Em curvas, a minivan mantém uma trajetória correta para suas dimensões e pesos. A carroceria até aderna – como era de se esperar em um modelo tão alto –, mas existe uma boa comunicação entre rodas e volante que adiciona segurança à mistura, apesar da direção parecer um tanto “artificial” em alguns momentos. Nas acelerações, a minivan mantém a compostura e não “empina” muito. Aparentemente os engenheiros mecânicos tiveram um nível de atenção que faltou aos responsáveis pelo controle de qualidade do acabamento do modelo chinês.



Ficha técnica

JAC J6 Diamond

Motor: Dianteiro, transversal, 1.997 cm³, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, comando variável de válvulas. Injeção multiponto sequencial e acelerador eletrônico.
Transmissão: Câmbio manual com cinco marchas à frente e uma a ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 136 cv a 5.500 rpm.
Aceleração 0-100 km/h: 13,1 segundos.
Velocidade máxima: 183 km/h
Torque máximo: 19,1 kgfm a 4 mil rpm.
Diâmetro e curso: 85 mm X 88 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.
Suspensão: Dianteira do tipo McPherson, com molas helicoidais e barra estabilizadora. Traseira com braços duplo e molas helicoidais.
Pneus: 205/55 R16 em rodas de liga leve.
Freios: Discos ventilados na frente e sólidos atrás. ABS.
Carroceria: Minivan em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,55 metros de comprimento, 1,77 m de largura, 1,66 m de altura e 2,71 m de entre-eixos. Oferece airbags frontais.
Peso: 1.500 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 198 litros ou 720 litros com a terceira fileira de bancos rebatida ou 2.200 com a segunda fileira de bancos rebatida.
Tanque de combustível: 68 litros.   
Produção: Hefei, China.
Lançamento no Brasil: 2011.
Itens de série: Airbag duplo, ABS com EBD, travamento automático das portas à 15 km/h, trio elétrico, faróis de neblina, sensor de estacionamento traseiro, retrovisor interno eletrocrômico, rack no teto, volante revestido em couro, banco do motorista com ajuste de altura e lombar, bancos em veludo, direção hidráulica, volante com regulagem de altura, ar-condicionado digital e rádio/CD/MP3/USB.
Preço: R$ 57.800.
Opcionais: Rodas de liga leve de 17 polegadas e bancos de couro
Preço da unidade testada: R$ 61.000.
Fonte:motordream
 Disponível no(a): motordream.uol.com.br
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