Mais comprometido com conforto e economia, o sedã da Toyota esbarra no preço elevado diante da concorrência coreana
Daniel Messeder
Faróis pontiagudos e grade cromada com desenho retilíneo marcam a nova geração do Camry
À minha volta, o espaço é farto e o ambiente, nobre, todo forrado de couro e decorado com madeira. Agora que você se ambientou, responda rápido: Estou em um: A) Mercedes-Benz Classe S; B) Audi A8; C) BMW 750i; D) Nenhuma das alternativas anteriores.
Acertou quem disse letra D. Estou a bordo da nova geração do Camry, o último andar dos sedãs Toyota antes de chegar à altura dos Lexus (sua divisão de luxo). O modelo acaba de desembarcar no Brasil por R$ 161 mil, e uma de suas atrações (senão a maior) está no luxo oferecido a quem viaja atrás – digno dos modelos topo de linha das marcas alemãs.
Antes que você reclame, eu concordo: sim, o valor é salgado. Ainda mais quando abrimos a tabela de preços da revista Autoesporte e vemos que o Kia Cadenza sai por R$ 129.900 e o novo Hyundai Azera custa a partir de R$ 115 mil. “Ahá, mas os coreanos não têm esses mimos todos”, diria um fã da marca japonesa. Certo. E o Camry ainda revela outras qualidades ocultas sob a discreta carroceria.
Corollão? É bem por aí. Exceto pela dupla saída de escape, a traseira do Camry é bastante conservadora
Primeiro, vamos voltar ao interior – dessa vez no banco da frente. O novo volante de quatro raios é um pouco menor que antes, e tem comandos grandes, bem intuitivos. Mas o mais bacana está no centro do painel: uma tela LCD de 7 polegadas sensível ao toque. Nela você controla o sistema de som, vê a imagem da câmera de ré e tem acesso a diversas funcionalidades do carro, como um interessante gráfico de consumo. Minha crítica fica para a imitação de madeira que cobre volante, painéis de porta, console central e painel. Nada contra o tom madeira (o público desse tipo de carro gosta); o que incomoda é que está na cara que aquilo é plástico.
Volante
de menor diâmetro e tela sensível ao toque são bacanas, mas o
acababamento imitando madeira não disfarça que é feito de plástico
Melhor do que quanto os cavalos do Camry andam, no entanto, é o que eles (não) bebem. A preocupação com economia foi tanta que, além do gráfico de consumo já mencionado, o sedã traz um econômetro para ajudar a você dirigir gastando pouco. Os resultados foram expressivos: 8 km/l na cidade e 13,1 km/l na estrada, números que poderiam muito bem ser de um motor quatro cilindros.
De resto, o Camry faz aquilo que se espera de um sedã de luxo. A cabine é espaçosa, o porta-malas leva bons 504 litros e a lista de equipamentos engloba ar digital de três zonas, faróis de xenônio, seis airbags, controle de estabilidade, sensor de chuva e iluminação... O silêncio a bordo chama a atenção, enquanto a suspensão parece calibrada pela mesma turma que cuidou do Corolla. É macia sem ser anestesiada, absorve bem a buraqueira sem deixar a carroceria balançar muito – na medida para o que se destina. A direção elétrica tem como prioridade a leveza em manobras, mas não fica boba em velocidades de viagem. Nesse quesito, entretanto, ainda fico com o Honda Accord, outro japonês que cobra caro pelo que oferece.
O
passageiro de trás controla som, temperatura, reclinação do encosto e
cortina elétrica pelos comandos do apoio de braço. Motor 3.5 V6 garante
bom desempenho (0 a 100 km/h em 7,2 s) com economia (fez mais de 13 km/l
na estrada)
Suspensão macia e rodas aro 17 fazem bom trabalho: Camry é confortável e faz mais curva do que parece
Fonte: revistaautoesporte
Disponível no(a): http://revistaautoesporte.globo.com
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