17 de fev. de 2011

Um Sierra elevado ao nível Cosworth



A existência do Canadá normalmente é tão minimizada e esquecida que costumamos chamá-lo de “chapéu da América”. Mes se eles permitem carros como este Sierra Cosworth, talvez seja melhor passar a chamá-los de “capacete da América”.
No final dos anos 70 a Ford achava que o Cortina (e seu irmão alemão Taunus) estavam há tempo demais nas ruas, ou ao menos os clientes acharam isso. Seu substituto chegou em 1982, e tinha um visual tão esguio e radical para a época que parecia ter saído de uma nave alienígena ou do traseiro de um gato.



Usando o Porsche 928 como referência de estilo – é sério, eu vi isso no antigo Top Gear – as formas do Sierra não agradaram os consumidores no começo. A Ford fez então o que qualquer fabricante faria (ou deveria fazer): passou a oferecer um pacote de alto desempenho – afinal se ele andar bem rápido, será apenas um borrão, como se fosse pintado por Monet!
E para fazer um Super Sierra a Ford lembrou de seus velhos amigos, os senhores Mike Costin e Keith Duckworth, que juntos fundaram a construtora de motores Turduckin Cosworth. O resultado foi o Sierra Cosworth, com sua carroceria aerodinâmica louca e um motor 2.0 turbo igualmente insano, suspensão recalibrada e o famoso spoiler traseiro “whale-tail” (rabo de baleia) no meio da traseira do modelo hatch.

A Ford não queria que o Sierra Cosworth fosse apenas descolado, eles queriam mantê-lo loucamente descolado, por isso em 88 eles tiraram o motor YBB com duplo comando, quatro válvulas por cilindro, turbina Garrett TO03 e intercooler de 204 cv do Sierra Hatch e o transplantaram para o sedã Sierra Sapphire. Este modelo das fotos é de 1989 e mantém muito de suas raízes britânicas. Isso significa que, apesar de ter seu revestimento de couro intacto, você terá que dirigir no lado errado do carro. Ainda assim, o interior parece intacto, e o desenho dos paineis da Ford nos anos 80 ainda tem uma boa aparência. Trabalhando com o YBB há uma caixa Borg Warner T5 ,e a suspensão traseira de eixo arrastado abraça o diferencial autoblocante para conter as patinadas.

Os 204 cv da Cosworth não parecem muita coisa hoje, mas são capazes de arrancar o Sapphire rumo aos 100 km/h em cerca de seis segundos, com máxima acima dos 230 km/h. A frenagem é cumpria por discos de 11 polegadas na dianteira e 10,75 na traseira, auxiliados por ABS. Os Sierra mais nervosos fizeram história em várias categorias do automobilismo, como o WTCC, BTCC, DTM, Trans-Am e TC2000. No ano seguinte uma versão ligeiramente mais potente e com tração integral foi lançada em seu lugar, mas o peso dos componentes da tração integral deixaram ele mais lento.
As peças desse Cossie 89 parece que acabaram de ser montadas na fábrica, de tão novas que aparentam. A condição poderia ser atribuída às 22.000 milhas (35.400 km) que o vendedor diz ter rodado, uma ninharia e uma vergonha para um carro com tanto potencial de diversão. Mas a contagem baixa no hodômetro é resultado de um fator nada favorável à reputação do Sierra: robustez. Esses carros tem fama de quebrar fácil. E isso nos deixa com uma dúvida: onde consertar um carro desse se você precisar de um novo…. qualquer coisa?
Ao longo da década de 80, o Sierra foi várias vezes cotado para ser produzido no Brasil, a exemplo do que ocorreu (de fato) na Argentina e Venezuela. Infelizmente isso não se concretizou, e tivemos de nos contentar com Del Rey, Verona e Versailles. A unidade que pegamos como exemplo para ilustrar esse post está à venda por consideráveis 19.900 dólares nos EUA.


Fonte:jalopnik
Disponível no(a):http://www.jalopnik.com.br

Nenhum comentário: