Jim Glickenhaus é um cara a quem admiramos. Ele achou que a Ferrari Enzo não era tudo aquilo que poderia ter sido e por isso resolveu fazer algo melhor. Assim nasceu a P4/5. Depois ele fez uma versão de corrida. A Ferrari não gostou nem um pouco, então Jim os deixou de lado. Agora ele quer fazer um carro ultra leve.
O nome? P33. O carro deve estrear no Salão de Genebra de 2015, então ainda há um longo caminho. As metas são ambiciosas, mas se forem atingidas, este carro será incrível. Uma delas é o peso máximo de 725 kg. A carroceria superleve será combinada com um motor V6 biturbo com cerca de 500 cv. Glickenhaus nos enviou um email e a história é a seguinte:
Dirijo carros exóticos há 42 anos.
Sempre gostei de carros de corrida, especialmente quando eles são
bonitos e podem rodar nas ruas. Também adorava os supercarros, que hoje
tornaram-se os “hipercarros”. Minhas aventuras com
projeto/construção/modificação de carros começaram com meu antigo
Donohue/Penske Lola T70, que venceu sete grandes corridas na CanAm em
1971. Imediatamente fiz algumas mudanças, ventoinhas etc e o coloquei na
rua. Depois de algum tempo o converti em um cupê de endurance e
adicionei mais equipamentos de rua.
O processo de transformar um carro de
corrida puro em um carro de rua foi o que me conquistou. Alguns anos
depois percebi que a história original era importante, por isso as
modificações que fiz no meu Ford MK IV pilotado por Donohue e McLaren em
Le Mans foram mínimas, bem como as modificações que fiz no meu P 3/4 e
no 412P. Apenas o necessário para que pudessem ser legalizados para as
ruas e capazes de encarar alguns minutos de trânsito intenso sem
derreter.
Quando a Pininfarina me conheceu,
eles queriam relançar sua divisão de “Projetos Especiais” construindo
algo exclusivo de novo. Acho que eles também queriam mostrar que ainda
sabiam fazer carros bonitos, e estávamos cansados de ouvir que as
últimas Ferrari mostravam que eles haviam “perdido a mão”.
Eles também precisavam de um cliente
que além de poder bancar o projeto, não tivesse medo do que a Ferrari
faria a eles por trabalhar totalmente fora do sistema. Pensei sobre isso
e falei: “Quero uma homenagem moderna à P 3/4 em uma nova plataforma da
Enzo”. Foi tudo muito incrível, conheci Paolo Garella, que estava
encarregado da divisão de projetos especiais e me explicou todo o
processo de como um carro é construído, testado e produzido. Aprendi
muito sobre CAD, túneis de vento e também que nem todo desenho legal
pode se tornar um carro de verdade.
Depois da P 4/5 Paolo e eu fizemos
uma versão de pista que se tornou a P 4/5 Competizione. Também foi uma
experiência incrível, e devo dizer que a realidade das corridas é muito
diferente do que parece nos fóruns de internet. No fim instalamos um
KERS e aquilo também foi demais. O KERS funciona melhor em tiros curtos
para compensar o torque até que o motor a gasolina esteja girando na
faixa de torque máximo. Em Nürburgring conseguimos 50 cv extra por 50
segundos ao recuperar a energia que seria transformada em calor na
frenagem das rodas traseiras.
Acabamos usando GPS para disparar o
sistema por quatro segundos sob carga máxima do acelerador na saída das
curvas mais lentas. Ficamos 15 segundos mais rápidos por volta. Vencemos
o FIA Alternate Cup e estou contente em saber que os próximos
supercarros (P1/LaFerrari/918) terão KERS e poderão correr conosco.
Então percebi que nenhum deles faria
isso. O custo e a complexidade do KERS e seus 1000 cv os transformaram
em monstros, mas não monstros como o 917-30 que fazia o Ring em menos de
7 minutos. Então comecei a pensar nos meus carros.
Minha P 3/4 pesa 816 kg e tem 436 cv.
A Dino Competizione pesa 590 kg e tem 233 cv, e eles são divertidos de
guiar, e talvez os hipercarros estejam perdendo o sentido, especialmente
por que nunca vão correr pra valer.
E se eu olhasse para trás? Mais
simples e mais leve. Menor? Será que “menos é realmente mais”? Assim
será o nosso novo carro. Mais leve, menor, mais simples e muito bonito.
Nossas metas são atingir uma relação peso/potência próxima à da Ferrari P
3/4 e um estilo visual no qual as asas do carro são integradas de forma
natural, como a asa traseira do Porsche 959. Estou chamando-o de P 33
por que é nosso terceiro carro e ele terá três asas integradas. Também é
uma “tirada de chapéu” para o Alfa T33 Stradale, mas não se trata de
uma homenagem visual. Ele terá o porte da Dino Competizione.
Henry Ford disse certa vez: “Sempre
que vejo um Alfa Romeo, tiro o meu chapéu”. Eu também faço isso. Estamos
pensando em um monocoque de fibra de carbono, com um V6 biturbo e
formas bem sedutoras. Paolo será o chefe da equipe novamente e meu amigo
de longa data Sal Barone será o mecânico chefe, assegurando que tudo
funcione na Scuderia Cameron Glickenhaus (SCG) para projetar e construir
o P 33. Ele terá o emblema da SCG, assim como o P 4/5 Competizione.
Desde que arranquei o logotipo da Ferrari do P 4/5, nunca mais olhei
para o emblema.
Quando tivermos um sketch bacana, ficarei feliz em compartilhá-lo com vocês.
Best!
Isso está ficando interessante.
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